"O Brincalhão"
Noticias do Nosso Jardim
Quer a natureza que as crianças sejam criança antes de serem homens. (…) A infância tem maneiras de ver; de pensar e de sentir que são próprias; nada há de mais insensato do que pretender substitui-las pelas nossas. (Rousseau, 1966).
Vivemos um tempo de grandes transformações sociais e culturais, por isso, na sociedade actual, educar, deverá ser dotar o indivíduo com as competências necessárias para que ele possa actualizar e aprofundar conhecimentos apropriados através de uma educação básica, onde possa adaptar-se ao mundo em mutação, sendo ele próprio um factor de mudança, através da sua intervenção crítica e reflexiva.
Sabemos que a identidade da criança vai tomando forma com as distintas experiências que esta vai tendo no desenrolar da sua relação com o ambiente físico e social.
Também sabemos, que as crianças não são receptoras passivas, não são simples receptáculos, pessoas acríticas e reprodutoras dos produtos culturais, pelo contrário, elas são criativas, fazem a sua própria interpretação e muitas vezes, criticam as suas mensagens.
As crianças concebem formas culturais autónomas nas suas interacções com pares, com adultos e com a natureza. (idem).
Para que as crianças sejam consideradas cidadãs activas (Sarmento2000), consequentemente com direito de fazer escolhas informadas e tomar decisões acerca daquilo que lhes diga respeito, depende em muito de mudanças significativas nas relações de poder entre adultos e crianças. Temos por isso, um longo percurso a percorrer para concretizar nesta segunda modernidade a ideia de uma infância cidadã.
Por isso, e tendo em conta que o Jardim-de-infância tem uma importância decisiva no desenvolvimento harmonioso das crianças, dado ser a primeira etapa a transpor fora do ambiente familiar onde se confrontam com um mundo de objectos e relações diferentes e de novas exigências na realização de todo o tipo de tarefas, em que vão ampliar as suas interacções com os outros, desenvolver os seus instrumentos cognitivos afectivos e relacionais, devem-lhes ser proporcionadas vivências bastante diversificadas. È o que pretendemos com as muitas coisas que fazemos juntos no nosso Jardim.
Actualmente, é pedido á escola que desempenhe um papel, que não seja só o de transmitir e adquirir conhecimentos. A educação tem neste momento uma grande dimensão social e diz-nos P. Freire (1997: 15) “Formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas”. Para isso cabe á escola estabelecer uma forte relação com os contextos e a comunidade onde está inserida, reconhecendo-lhe autonomia.
Com base nestes princípios assume-se que a escola se constrói na e com a comunidade. Só desta forma a escola poderá enriquecer a cultura e os saberes escolares.
Vivemos num tempo de grandes transformações sociais e culturais em que a problemática da construção de valores assume uma relevância muito grande, nomeadamente no que respeita às alterações na forma como definimos e hierarquizamos esses mesmos valores.
As crianças vivem pois, contextos bem distintos. Aos adultos compete por isso, ver a criança como competente e capaz. Nesse sentido, deve estimulá-la e apoiá-la no desenvolvimento de posicionamentos pessoais e sociais adequados e na construção de atitudes e comportamentos tão abertos, tolerantes e criticos quanto o seu desenvolvoimento o possibilite.
Assim, tendo em conta os saberes acumulados das crianças, valorizando-os e partindo deles para a aquisição de novas aprendizagens, no presente ano lectivo estamos a desenvolver o Projecto Educativo “Conhecer a Nossa terra”, sendo que na sala 1 se orienta para a recuperação dos jogos tradicionais, enquanto a sala 2 se debruça sobre as lendas.
Sabemos que a criança interage com o meio que a rodeia de forma simbólica, da qual o jogo é expressão máxima, daí a dimensão lúdica na educação pré-escolar. Contudo, este carácter lúdico não impede que se realizem aprendizagens estruturantes e bastante significativas. Há uma intencionalização nas vivencias do Jardim de Infância, são aprendizagens formais como introdução à leitura, escrita e à matemática; das expressões e linguagens multiplas, bem como, da curiosidade cientifica.
No nosso Jardim fazemos muitas coisas, juntos Brincamos, Crescemos e Aprendemos. Assim, ao longo da leitura das notícias do nosso Jardim, terão oportunidade de tomar contacto, de analisar, de reflectir e de verificar as vivencias e aprendizagens que fizemos.
Vivências Importantes
Durante a rotina diária vivemos momentos importantes de faz-de-conta nas diversas áreas de actividade.
S. Martinho
Em Novembro fizemos o Magusto. Foi um dia bem divertido!
Confeccionamos uma cesta em forma de castanha, comemos castanhas, sujamos as caras e saltamos a fogueira.
Cantares dos Reis
Depois de confeccionadas as coroas e ensaiadas as cantigas chegou o dia de cantar os tradicionais Reis. Foi com agrado que recebemos a visita de todo o pessoal da escola do 1º ciclo a quem gostamos de retribuir a saudação.
De seguida, e desde o dia 5 até ao 10 de Janeiro fomos cantar os Reis pela freguesia, tentando desta forma, manter a tradição.
Dia de S. Valentim
Neste dia tão especial, sobre a amizade conversamos;
Um móbil em forma de pássaro fizemos,
Papeis em forma de coração decoramos;
E na árvore do amor colocamos
A Amizade é um sentimento bonito.
A Amizade é ter um amigo para podermos falar;
A Amizade é ser uma pessoa boa;
A Amizade é ser amigo dos outros;
A Amizade é brincar sem bater;
A Amizade é o amor que temos pelos outros;
A Amizade é gostar da nossa família;
Amizade é gostar de todos os meninos!
(Grupo sala1)
Através de pequenas actividades desenvolvidas nesta data aproveitamos para falar sobre conceitos essenciais para todos, como é o caso do “Amor”. Assim, cada criança pode pronunciar-se acerca daquilo que considera ser o “Amor”. Eis o resultado:
Amor é:
Namorar
Dar um abraço
Dar um beijinho na boca
Dar um beijinho na cara
Gostar um do outro
Quem namorar faz anos
Dar um presente
Dar o raminho do bolo dos noivos
Dar um ramo de flores
Gostar de estar pertinho do outro
Encostar a cabeça dos namorados
Comer juntinhos no restaurante
Beber um café juntos
Ser amigo de outros amigos
Gostar de estar com os amigos
(Grupo da sala 1)
Outras Formas de Aprender
· Cientistas de Palmo e Meio
A Ciência é interessante e divertida para as crianças, incentivando o seu entusiasmo natural e encorajando-as a perceber o valor da sua própria aprendizagem.
As experiências estimulam a curiosidade das crianças. Através delas as crianças formulam todos os passos de uma investigação científica, ou seja: Formulam hipóteses; prevêem, experimentam e tiram conclusões.
Assim, no âmbito do Dia Mundial da Ciência, no dia17 de Novembro, deslocamo-nos de autocarro à ACEP em Viana do Castelo.
Mas, no nosso Jardim também fazemos experiências e registamos os seus resultados, como foi o caso da experiência com as flores que fizemos na sala 1.
· Visita à Biblioteca
Com o intuito de incutir nas crianças a necessidade de ter cuidados especiais com os livros foi proporcionado às crianças deste Jardim de Infância uma visita à biblioteca onde também assistimos a um espectáculo.
Visita ao Centro de Saúde
No sentido de festejar o Dia Mundial do Doente, fomos, no dia 12 de Fevereiro de 2007, ao centro de saúde para que as crianças pudessem contactar de forma diferente com um local que normalmente lhes traz momentos menos bons.
Aqui as crianças viram uma menina a tirar um raio-x à mão e de seguida o resultado no computador. Depois, e para além de outras salas, passaram pela sala dos curativos onde a senhora enfermeira fazia um penso a um senhor.
Festas:
O Natal também foi vivido no nosso Jardim de Infância decorando-o com enfeites alusivos à época natalícia. Esta quadra foi vivida por todos com muita intensidade.
Como forma de comemorar esta data fizemos uma festa onde tivemos a presença dos pais, com a vinda do Pai Natal que nos ofereceu presentes. No final tivemos um lanche convívio.
O nosso Carnaval
A nossa festa de Carnaval foi divertida.
Na sexta-feira, 16 de Fevereiro logo de manhã, começamos a chegar ao Jardim de iInfância todoas mascarados de palhaços, bruxas, meninas, zorros, princesas, nodys...estavamos todos muito bonitos e originais.
Depois, fomos em cortejo até ao salão paroquial. Aí,juntamente com os meninos de Areias, S. Martinho, Oliveira e Lama participamos na festa de Carnaval que foi dinamizada por dois palhaços. Estes cantaram canções, fizeram jogos, pintaram-nos as caras e encheram balões.
Foi uma festa de Carnaval bastante engraçada!
Reviver os Jogos Tradicionais
“É urgente viver o presente, preparando o futuro e respeitando a tradição" (Noronha Feio, 1989)
Os brinquedos e jogos despertam a memória dos tempos passados por isso, além da parte material e técnica, têm uma dimensão cultural que foi veiculada pela memória e imaginação do adulto, o qual, como criador do objecto lúdico, revive os tempos de infância.
Estes brinquedos proporcionam ainda, uma encantadora interacção afectiva com os adultos, pois, constituem a “marca de um longo percurso de séculos, ou até mesmo de milénios” (Amado, 2002:11). Os adultos assumem em todas as civilizações, a tarefa de “educar” os seus descendentes. De forma mais ou menos conservadora, os adultos seleccionam conhecimentos, competências e procedimentos que julgam mais úteis para o pleno desenvolvimento das crianças.
Ao jogar, as crianças assimilam simbolicamente as acções e atitudes da vida real, por isso, o brinquedo funciona como um veículo de transmissão social. Foi por essa razão que, no dia do Pai e da Mãe, para além do jogo concebido ou prenda confeccionado pelas crianças, procuramos reviver os brinquedos tradicionais oferecendo um exemplar dos brinquedos com que os nossos pais e avós brincavam.
Preparando os materiais para
confeccionar as prendas
Estreitando as relações entre mães e filhos
Promovendo o convívio entre as mães e os pais das crianças revivendo os jogos tradicionais
Lembranças do:
Dia do Pai Dia da Mãe
Lendas e Mitos
Lendas são histórias fantásticas que possuem origem histórica narrando feitos de heróis, personagens sobrenaturais, fenómenos naturais, e também vida de santos. A lenda é sempre considerada com um fundo de verdade.
Barcelos é terra de lendas, algumas delas herdadas talvez da Idade Média, duas delas e as mais conhecidas são: O “Galo de Barcelos” e a do “Milagre das Cruzes”.
No entanto existem duas lendas que fazem parte do património cultural de Manhente.
Uma das lendas é a de S. Sebastião, padroeiro da freguesia. A outra lenda é referente á época dos Mouros, a lenda do Túnel.
Lenda de S. Sebastião:
S. Sebastião era militar com a patente de Capitão e era cristão. Os seus superiores que não partilhavam da mesma crença que S. Sebastião, um certo dia em que iam partir para uma guerra, não o chamaram para fazer parte desta.
Sabe-se que nessa guerra houve muitos mortos e que a partir desse dia começou a haver muita fome, muitas guerras e que a peste tirou a vida a muitas pessoas.
S. Sebastião começando a ver o que estava a acontecer, começou a defender a população destes flagelos.
Os seus superiores sabendo disto e não gostando da religião que S. Sebastião professava, mandaram matá-lo com setas. Neste tempo todos os Católicos eram severamente castigados se não praticassem e venerassem os deuses dos seus superiores.
A partir da sua morte todos os cristãos reconheceram S. Sebastião, como Advogado da fome, da peste e da guerra.
Lenda do Túnel:
Conta a lenda, que no tempo dos Mouros, na freguesia de Manhente, se travou uma guerra. Estando na freguesia S. Martinho e querendo ajudar a população, esta construiu um túnel que servia de passagem secreta para S. Martinho. Sem se aperceberem este conseguia roubar armas ao inimigo.
Este túnel fica situado na Igreja de origem Romana, que é a Igreja antiga de Manhente.
Querendo visitar-se o túnel não é possível faze-lo, a não ser por meros segundos.
Vale a pena passar pela cidade de Barcelos, visto esta região, com as suas 89 freguesias, ser tão rica em lendas, tradições, costumes, gastronomia e monumentos.
Quando os nossos amigos estão noutro país
As crianças deste Jardim têm amigos seus, o Miguel e o Gonçalo, no estrangeiro. Estes enviaram um e-mail a dar noticias, falando-nos da sua nova vida e da sua escola. A este e-mail respondemos com uma carta via Internet, porque não sabemos escrever em Kirguis, tem umas letras muito esquisitas!
Estando de férias da escola no Kirguistan, os nossos amigos presentearam-nos com a sua presença passando um dia connosco no Jardim foi com grande satisfação que recebemos a sua visita.
Mas não ficamos por aqui na utilização das novas tecnologias. Durante a rotina diária também as utilizamos para realizar jogos didácticos.
Na Componente de Apoio à Família
Também na Componente de apoio à Família fazemos coisas interessantes:
-Festejamos o Dia das Bruxas
-O Dia dos Namorados
-Fazemos muitos jogos
Mas também na Cantina vivemos experiências importantes.
Esperamos ter-vos deixado uma pequena amostra de tudo quanto fizemos no Jardim de infância durante este ano lectivo. Para o ano cá estaremos para com novos projectos e outros protagonistas para fazermos coisas novas. Até lá!